Novos pendões dão nova imagem ao Teatro Tivoli BBVA

O ponto de partida para a nova identidade visual dos pendões foi o próprio Teatro Tivoli BBVA. Através da observação dos elementos florais e ornamentais presentes na arquitetura e nos interiores do edifício, nasceu a vontade de os revisitar e transportar para o exterior, através de uma linguagem gráfica contemporânea não como reprodução, mas como uma nova interpretação da sua memória visual. Foi durante este processo de pesquisa que surgiu uma ligação inesperada à própria origem do Teatro: Raul Lino tinha imaginado para o teatro grandes ramalhetes em cerâmica policromada, marcados pela cor e por uma linguagem moderna para a época, que acabariam por nunca ser concretizados. Mais de cem anos depois, esta descoberta veio dar uma nova dimensão ao projeto. As flores dos novos pendões nascem, assim, do cruzamento entre aquilo que o Teatro é, aquilo que poderia ter sido e aquilo que continua a poder ser. Sem procurar reproduzir literalmente os desenhos imaginados por Raul Lino, a nova identidade recupera o seu espírito, partindo da tradição ornamental e da arquitetura do Teatro Tivoli BBVA para construir uma linguagem mais livre, gráfica e contemporânea.

Mais do que recuperar um elemento do passado, o objetivo foi : trazer para a rua detalhes, referências e histórias que pertencem à identidade do edifício, tornando-os visíveis também para quem passa pelo Tivoli, para quem nunca entrou no Teatro ou para quem desconhece esta parte da sua história.

A nova imagem estabelece, desta forma, uma ponte entre património e contemporaneidade. Preserva a ligação à história e à cultura portuguesas sem as cristalizar no passado, mostrando como a tradição pode ser reinterpretada, transformada e devolvida à cidade através de novas linguagens visuais. Mais de um século depois, uma ideia que ficou por concretizar encontra uma nova forma de habitar o Teatro.