HISTÓRIA

Uma aposta do empresário Frederico de Lima Mayer, homem requintado e de grande cultura, que pretendia, à semelhança das congéneres europeias, dotar Lisboa de um espaço exclusivamente dedicado ao culto da Sétima Arte, movimento então em ascensão por todo o mundo, mas onde fosse possível apresentar também outro tipo de espectáculos, o Tivoli abriu, com pompa e circunstância, as portas para a Avenida da Liberdade em 1924. O frio que conquistara Lisboa nessa noite de 30 de Novembro, não impediu a sociedade lisboeta de se vestir a preceito para estar à altura do acontecimento. Ainda na era do cinema mudo, visionou-se o filme Violetas Imperiais e em 1930, após instalação da tecnologia adequada, foi apresentado o filme sonoro, A Parada do Amor.

Projectado pelo arquitecto Raul Lino, o Cine-Teatro Tivoli rapidamente se afirmou como espaço moderno, de características únicas e apto a satisfazer as necessidades dos apreciadores de diferentes manifestações artísticas e culturais. O seu estilo Neoclássico, de formas acentuadas e cobertura em forma de cúpula revestida de telha preta, emprestava-lhe a personalidade própria dos teatros franceses, o que conferiu à Av. da Liberdade um certo sabor a boulevard parisiense, já antevisto pelos seus jardins e espaços de lazer a lembrar os Campos Elísios. No interior, o estilo adoptado está presente nos motivos decorativos da sala e nas opções de enquadramento do proscénio.

O teatro também teve o seu espaço de imediato. Em 1925, por iniciativa de António Ferro, fundou-se o grupo Teatro Novo que levou à cena inúmeras peças. Outras companhias teatrais, nacionais e internacionais, também adoptaram o espaço para as suas apresentações, bem como companhias de bailado e orquestras.

Em constante renovação, o Tivoli manteve-se na vanguarda, tornando-se um símbolo da cidade e da avenida. Em 1997, setenta e três anos depois da sua inauguração, foi classificado Imóvel de Interesse Público.

Tendo mudado de mãos várias vezes ao longo das últimas 3 décadas, o Teatro Tivoli é hoje pertença da UAU, uma produtora de espectáculos nacional que pretende manter o espaço activo, produzindo mais e melhores eventos, espectáculos, conferências, galas televisivas, concertos, anúncios publicitários e quaisquer outras manifestações que se enquadrem na sua essência multi-facetada.

Esta aquisição apenas foi financeiramente possível com o apoio do BBVA, que assumiu o naming do teatro, em mais uma demonstração do carácter cosmopolita de Lisboa, que se juntou a tantas outras cidades no mundo com espaços culturais cujos nomes se encontram associados a marcas.

Anos de menor investimento em obras na estrutura resultaram numa degradação natural de equipamentos como cadeiras, alcatifas, pintura (interior e exterior) e caixa de palco. Hoje, urge empreender trabalhos de recuperação, que devolverão ao teatro o brilho e glamour que presidiram à sua génese, devolvendo à cidade e seus habitantes o “seu” teatro por excelência. Tal, apenas será possível com o apoio de novas entidades que, para além do prestígio empresarial consequente, vejam na sua participação uma forma de contribuir para a (boa) saúde da cultura portuguesa e manutenção de uma sala com história, carisma e visibilidade, que já acolheu os maiores nomes do espectáculo em Portugal.

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